
Iniesta, Messi e Xavi, que n?o superam a marca de 1,70m, foram premiados
pela Fifa como melhores jogadores do mundo em 2010 (foto: Reuters)
A Liga dos Campe?es da Europa, a competi??o interclubes mais prestigiosa do planeta, ser? decidida ?s 15h45 deste s?bado, em Londres, por Manchester United e Barcelona, que contradizem a reinante prefer?ncia por atletas de maior porte f?sico.
No time espanhol, n?o passam de 1,80m simplesmente 14 dos 18 jogadores de linha que mais foram a campo no torneio continental. No Manchester, s?o 13 entre 24 atletas. Entre estes barcelonistas, a m?dia de altura dos encarregados de fun??es criativas ? de 1,72m. No concorrente, 1,76m. Uma economia de fita m?trica, para os padr?es vigentes.
O trio de ataque catal?o re?ne David Villa, de 1,75m, Messi e Pedro, ambos de 1,69m. O mais alto da turma ofensiva, o reserva Afellay, tem 1,80m. No Manchester, somente o artilheiro Berbatov ultrapassa esta medida. Por oito cent?metros. Por?m, a titularidade cabe ao franzino Chicharito, de 1,75m.
Um dos menores jogadores a atuar em primeiro n?vel no futebol brasileiro, o ex-atacante Osni sa?da o predom?nio de "baixinhos" na elite do futebol mundial, na contram?o de uma realidade constatada na Copa do Mundo de 2010.
- ? a prova de que o Brasil s? imita o que n?o presta - conclui, criticando a prefer?ncia nacional por jovens com porte f?sico avantajado, inspirada na tradicional for?a f?sica dos europeus.
Ele sequer tenta disfar?ar sua irrita??o com as pr?ticas atuais.
- O Brasil, por ter alguns insucessos, principalmente na Copa de 82, come?ou a achar que o futebol-for?a seria mais importante. De l? para c?, come?aram a produzir jogadores altos e fortes, achando que isso seria o suficiente. Deixaram de lado aquilo que seria mais importante: a habilidade, que se encontra mais em jogadores baixos.
Do "alto" do seu declarado 1,58m, dois cent?metros a mais do que divulgam algumas fichas t?cnicas, Osni acredita que n?o teria espa?o hoje em dia. "N?o me deixariam jogador, iam vetar", admite o paulista de 58 anos que jogou no Flamengo.
Sucesso mesmo, ele obteve no Bahia e no Vit?ria, nas d?cadas de 1970 e 1980. R?pido, driblador, homem-gol. Com direito ? artilharia e ao t?tulo estadual simultaneamente como jogador e t?cnico em 1984, pelo tricolor. Uma lenda. Faturou duas vezes a Bola de Prata da Revista Placar, defendendo o rubro-negro no Brasileir?o, em 1972 e 1974.
- Eu era centroavante. Fazia gols de cabe?a. Porque (o segredo) n?o ? saltar mais do que o zagueiro, ? se colocar ou chegar ? frente. Se voc? se antecipa, tem muito mais chance, n?o precisa nem pular. Zico fazia muito. Rom?rio era o mais esperto de todos, se colocava na frente ou ficava atr?s do beque - ensina Osni, dono de uma revendedora de carros em Salvador.
Ele cita as modestas estaturas de Neymar, Zico, Rom?rio, do ex-cruzeirense Alex e e do s?o-paulino Lucas para minimizar a import?ncia dos grandalh?es nos gramados. E retorna ? final europeia: "O melhor jogador do mundo hoje ? baixo, o Messi".
Erro na base
A prospec??o de garotos guiada pelo potencial atl?tico ? duramente condenada por Osni. "Estamos caminhando para perder craques. Os craques est?o sumindo. E quando aparecem, v?o embora (para o exterior)", adverte.
- Infelizmente isso est? sendo levado para a divis?o de base, que n?o vai dar nada. Quem tem o futebol-arte como mais importante consegue um Ganso, um Neymar e outras p?rolas que a gente j? sabe que v?o surgir no Santos - observa o antigo goleador, que surgiu justamente na Vila Belmiro.
Seus exemplos, entretanto, s?o se limitam aos santistas.
- O pr?prio Flamengo fez esse trabalho e colheu frutos com Djalminha, Marcelinho, Paulo Nunes... Todos que fizeram trabalho voltado para a habilidade e a t?cnica tiveram sucesso. Ficam cobrando da divis?o de base que ganhe t?tulo. Ela n?o ? para isso, ? para fazer jogador.
Ele reclama ainda do trabalho nas academias. "Botam o jogador para ser rob? na sala de muscula??o, para que ele ganhe uma for?a muscular, mas perde totalmente a habilidade e o jogo de cintura".
E exemplifica: "Robinho perdeu o que era quando foi para fora do pa?s. Meteram um preparo f?sico nele, ficou mais forte e n?o tem a habilidade que ele tinha. Veja o Neymar, magro, ningu?m pega. E pode dar pancada que ele aguenta. Sabe se defender, tem ginga de corpo e velocidade".
Na avalia??o de Osni, tamb?m poderia ter sido superior o desempenho do maior artilheiro das Copas do Mundo:
- O pr?prio Ronaldo, quando jogava no Cruzeiro, era um monstro. L? fora, fizeram dele um rob?. Continuou bom porque era bom, mas pode ter certeza que ele perdeu muito da ginga de corpo para driblar, ficou mais pesado, sem mobilidade.
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